O Dr. Gustavo Khattar de Godoy acompanha de perto uma das transformações mais relevantes da saúde pública brasileira nas últimas décadas: a incorporação da telemedicina ao Sistema Único de Saúde. O SUS atende mais de 150 milhões de brasileiros e convive, há anos, com gargalos estruturais que comprometem a qualidade e a velocidade do atendimento. A chegada das tecnologias digitais ao sistema público abre um caminho concreto para ampliar a capacidade de resposta sem exigir, necessariamente, a expansão física da infraestrutura existente.
Leia o artigo até o final para compreender mais sobre o assunto!
A fila como problema central da saúde pública
O tempo de espera por consultas especializadas é um dos indicadores mais críticos do SUS. Em diversas regiões do país, pacientes aguardam meses por atendimentos em especialidades como cardiologia, ortopedia e dermatologia. Essa demora tem consequências diretas no agravamento de condições tratáveis e no aumento dos custos hospitalares decorrentes de internações que poderiam ter sido evitadas com diagnóstico precoce.
A telemedicina oferece uma resposta estrutural a esse problema. Gustavo Khattar de Godoy elucida que consultas realizadas à distância, com suporte de plataformas digitais, permitem que médicos especialistas atendam pacientes de municípios remotos sem a necessidade de deslocamento. Nesse sentido, a tecnologia funciona como um mecanismo de redistribuição do acesso, aproximando competência clínica de populações historicamente desassistidas.
A leitura sobre regulação e escala
A regulamentação definitiva da telemedicina no Brasil, consolidada a partir de 2022, representou um marco para a expansão do modelo no setor público. Conforme indica o Dr. Gustavo Khattar de Godoy, a segurança jurídica gerada por esse arcabouço normativo foi determinante para que hospitais, secretarias de saúde e gestores municipais passassem a considerar a telemedicina como solução viável e não apenas experimental.
A escala é outro fator decisivo. O SUS opera em dimensões que poucos sistemas de saúde no mundo precisam administrar. Por outro lado, essa escala também representa uma oportunidade: plataformas digitais bem estruturadas podem alcançar simultaneamente milhares de unidades básicas de saúde, padronizando protocolos, reduzindo disparidades regionais e qualificando o atendimento prestado em localidades com menor densidade de especialistas.

Teleradiologia e telediagnóstico como aliados do sistema público
Dentro do ecossistema da telemedicina aplicada ao SUS, o telediagnóstico ocupa uma posição estratégica. A possibilidade de enviar imagens de exames para centros especializados e receber laudos em poucas horas transforma a capacidade diagnóstica de unidades que, de outra forma, operariam sem acesso a especialistas em tempo hábil. Dr. Gustavo Khattar de Godoy aponta que essa modalidade já demonstrou resultados concretos em programas piloto conduzidos em estados como Minas Gerais e São Paulo.
A integração entre unidades básicas de saúde e centros de referência, mediada por tecnologia, redefine a lógica de funcionamento da rede pública. Sendo assim, municípios pequenos passam a contar com suporte diagnóstico de alta complexidade sem precisar estruturar esse serviço localmente, o que representa tanto uma economia de recursos quanto uma melhoria mensurável na qualidade do cuidado oferecido à população.
Desafios de implementação e o papel da gestão
A adoção da telemedicina no SUS não ocorre sem obstáculos. A conectividade deficiente em regiões rurais, resistência cultural de parte dos profissionais de saúde e ausência de capacitação técnica para uso das plataformas são barreiras reais que precisam ser enfrentadas com políticas públicas específicas. A tecnologia, por si só, não resolve problemas de gestão mal estruturada.
Logo, percebe-se que o sucesso da telemedicina no sistema público depende de uma combinação entre infraestrutura digital, formação continuada dos profissionais e compromisso institucional dos gestores. Para Gustavo Khattar de Godoy, o modelo tem potencial transformador, mas exige planejamento rigoroso e avaliação constante dos resultados para que os ganhos se convertam em melhoria efetiva na vida dos pacientes atendidos pelo SUS.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
