Paulo Roberto Gomes Fernandes lidera a Liderroll em um momento em que a empresa combina forte presença internacional com a expectativa de uma futura retomada consistente do mercado brasileiro de construção e manutenção de gasodutos e oleodutos. Depois de ver muitos projetos nacionais pararem, a companhia buscou oportunidades no exterior, mas segue defendendo que a infraestrutura dutoviária do país precisa voltar a ser tratada como prioridade estratégica.
Mercado travado e saída pela internacionalização
Na leitura de Paulo Roberto Gomes Fernandes, a cadeia de óleo e gás no Brasil passou por um ciclo prolongado de interrupções e insegurança, que atingiu com força as empresas de engenharia e construção. Investigações, reestruturações, queda de investimentos e mudanças regulatórias criaram um ambiente em que muitos projetos foram cancelados ou colocados em espera. Enquanto operadoras estrangeiras ligadas à prospecção e produção seguiram mais protegidas, fornecedores locais de soluções de alta tecnologia ficaram sem demanda.
Nesse contexto, a Liderroll ampliou sua atuação em mercados como Estados Unidos, Canadá, Europa, Rússia, China e Turcomenistão. A empresa passou a fornecer estudos, consultoria e tecnologias patenteadas para travessias especiais e instalação de dutos em túneis longos e desafiadores, como os projetos sob o Lago Michigan e em outros corredores estratégicos. Esse movimento não foi apenas uma opção, mas um caminho necessário para manter equipes, fábrica e capacidade de inovação ativas.
Especialização em túneis e soluções de suportação
O portfólio da Liderroll inclui roletes para Stingers de lançamento de dutos no mar, roletes especiais para píeres que reduzem esforços e corrosão nas tubulações, roletes tridimensionais e os roletes motrizes para lançamento de gasodutos e oleodutos em túneis. Essas tecnologias foram aplicadas em obras como Gastau, Gasduc e outros projetos de alta complexidade, em que o espaço é reduzido, o acesso é difícil e a segurança precisa ser tratada como eixo central do desenho de engenharia.
Paulo Roberto Gomes Fernandes lembra que, no Brasil, túneis dutoviários construídos com esse tipo de solução já operam há mais de uma década, mas ainda carecem de programas formais de inspeção e manutenção dos sistemas de suportação. A combinação entre malha envelhecida, túneis longos e falta de rotinas estruturadas de integridade cria um passivo oculto que precisa ser enfrentado antes que problemas venham à tona em forma de acidentes ou paradas emergenciais.
Política industrial, infraestrutura e papel das grandes estatais
A retomada da construção e da manutenção de gasodutos e oleodutos no país passa por uma visão de longo prazo para a política industrial e energética. Na percepção de Paulo Roberto Gomes Fernandes, o país não pode depender apenas de ciclos de alta de commodities ou de decisões conjunturais de curto prazo. É necessário que grandes empresas âncora, como a Petrobrás e outras operadoras, voltem a assumir uma agenda de investimentos em infraestrutura, com previsibilidade e foco na cadeia produtiva nacional.

Nesse modelo, obras, serviços especializados e tecnologia desenvolvida no Brasil voltam a ser motores de geração de emprego, renda e inovação. A Liderroll, que mantém fábrica própria para produzir suas soluções e equipes preparadas para montagem, manutenção e suporte em campo, se vê pronta para responder a uma eventual retomada, desde que exista um pipeline de projetos e um ambiente de negócios mais estável.
Dutos aparentes e atualização regulatória
Uma bandeira que Paulo Roberto Gomes Fernandes insere em debate é a dos dutos aparentes. Questiona-se por que um país de dimensão continental continua preso quase exclusivamente ao modelo de oleodutos e gasodutos enterrados em longas distâncias, sem um arcabouço normativo robusto para soluções aparentes em escala. Na visão do executivo, a falta de normas claras limita alternativas que poderiam aumentar a mobilidade de gás, petróleo e até granéis sólidos, reduzindo a pressão sobre rodovias.
Defende-se, então, a criação de grupos de trabalho específicos, envolvendo reguladores, empresas e centros de pesquisa, para discutir as vantagens e os riscos dos dutos aparentes, considerando tecnologias atuais de suportação, monitoramento e integridade. Ele argumenta que corredores dutoviários bem projetados poderiam diminuir a perda de carga no transporte rodoviário, reduzir acidentes com caminhões e trazer mais racionalidade à logística nacional.
Visão de futuro e integração internacional
Apesar de ter expandido sua atuação para fora do Brasil, a Liderroll não enxerga a internacionalização como fuga definitiva, mas como complemento estratégico. Projetos, parcerias e participações em fóruns técnicos em países como Estados Unidos, Portugal e Canadá vêm reforçando a reputação da empresa e gerando um histórico sólido de aplicações reais para suas patentes.
Para o futuro, Paulo Roberto Gomes Fernandes projeta um cenário em que essa experiência internacional se combina com um novo ciclo de investimentos em infraestrutura dutoviária no país. A expectativa é que o Brasil volte a planejar gasodutos, oleodutos e travessias especiais com visão de longo prazo, incorporando manutenção, integridade e inovação desde a concepção dos projetos.
Autor: Roger Tant
