Gastronomia como escola de gestão

Oliver Westmere
Fredy da Silva Gonçalves Bento

Poucos setores refletem tão bem quanto a gastronomia os desafios diários de quem empreende, e Fredy da Silva Gonçalves Bento, empresário da Baixada Santista, conhece essa realidade por experiência própria. Depois de iniciar a trajetória no comércio de roupas e com a marca Restrito, ele passou a atuar no setor de restaurantes, primeiro com o Restaurante Capitães e depois com o Hina Restaurante. A passagem pela gastronomia acrescentou ao seu repertório de empreendedorismo lições sobre equipe, custos e atendimento que seguiram úteis nos negócios seguintes.

Margens curtas e decisões rápidas

Um restaurante lida com uma combinação rara de variáveis. Os insumos são perecíveis, os preços de fornecedores oscilam com frequência e a equipe precisa funcionar de forma coordenada em horários de pico, quando qualquer atraso aparece imediatamente na mesa do cliente. Diferentemente do varejo de produtos, em que a mercadoria parada ainda pode ser vendida mais tarde, na cozinha o desperdício representa prejuízo definitivo. Controlar compras, porcionamento e escala de funcionários torna-se, por isso, uma questão de sobrevivência do negócio.

Como pondera Fredy da Silva Gonçalves Bento, a gastronomia obriga o empreendedor a tomar decisões operacionais várias vezes ao dia, sem a possibilidade de adiar problemas para a semana seguinte. A experiência com restaurantes reforçou a importância de acompanhar indicadores simples, como custo de cada prato e giro de mesas, e de manter proximidade com quem está na linha de frente do atendimento. São aprendizados que se aplicam a qualquer operação que dependa de pessoas e de ritmo constante.

Fredy da Silva Gonçalves Bento
Fredy da Silva Gonçalves Bento

Capitães e Hina Restaurante em momentos diferentes

O Restaurante Capitães marcou a entrada no setor, em um período em que a experiência acumulada vinha principalmente do comércio. Abrir um restaurante significou aprender a contratar cozinheiros, organizar escalas, negociar com fornecedores de alimentos e lidar com um cliente que avalia não apenas o produto, mas o ambiente e o tempo de espera. A mudança de segmento exigiu humildade para reaprender processos que, no varejo de roupas, funcionavam de outra maneira.

O Hina Restaurante veio depois, já com outra bagagem, e foi desenvolvido em parceria com a irmã Milena da Silva. Fredy da Silva Gonçalves Bento caracteriza a segunda experiência gastronômica como um projeto construído a partir do que havia sido aprendido anteriormente, com mais clareza sobre o que funciona e o que precisa ser evitado. A evolução entre um restaurante e outro ilustra como o empreendedor amadurece ao revisitar um mesmo setor com novas referências.

Sociedade em família exige regras claras

Empreender com familiares traz vantagens evidentes, como confiança mútua, valores compartilhados e disposição para enfrentar momentos difíceis juntos. Ao mesmo tempo, a proximidade pode confundir papéis, misturar decisões pessoais e profissionais e dificultar conversas sobre desempenho. Em negócios de alimentação, nos quais a rotina é intensa e as decisões precisam ser rápidas, definir responsabilidades desde o início evita desgastes e protege tanto a empresa quanto a relação entre os sócios.

No olhar de Fredy da Silva Gonçalves Bento, a parceria com a irmã no Hina Restaurante traduz a importância que a família ocupa em sua trajetória empresarial, sempre acompanhada de organização e divisão de funções. A mesma lógica aparece em outros capítulos, como na holding Edith Manuel, cujo nome homenageia os avós. Na gastronomia, porém, a sociedade familiar ganhou uma dimensão cotidiana, testada diariamente no salão, na cozinha e nas decisões de gestão.

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