Sergio Bento de Araujo retrata que os jogos, redes sociais, vídeos e aplicativos fazem parte da rotina dos estudantes e influenciam diretamente a forma como eles se comunicam, aprendem e se relacionam com o mundo. Em vez de enxergar esse cenário apenas como distração, a escola pode transformar a cultura digital em aliada do aprendizado técnico e científico.
Aproveitar os interesses digitais dos estudantes é uma estratégia eficaz para desenvolver competências em tecnologia, pensamento crítico e resolução de problemas, sem perder de vista os objetivos pedagógicos.
Do consumo ao entendimento da tecnologia
Grande parte dos estudantes utilizam a tecnologia diariamente, mas poucos compreendem como essas ferramentas funcionam. Transformar usuários em criadores é um dos principais desafios da educação digital. Isso envolve ensinar noções de programação, lógica, funcionamento de aplicativos e uso de dados.

Segundo Sergio Bento de Araujo, quando o aluno entende os bastidores da tecnologia, ele passa a utilizá-la de forma mais consciente e crítica. Além disso, esse conhecimento amplia as possibilidades de atuação profissional no futuro, especialmente em áreas ligadas à ciência, tecnologia e inovação.
Games como porta de entrada para a aprendizagem técnica
Os jogos digitais oferecem oportunidades ricas para trabalhar conceitos de matemática, lógica, estratégia e programação. Plataformas de criação de jogos permitem que os alunos desenvolvam seus próprios projetos, testem regras e ajustem dificuldades, exercitando raciocínio lógico e criatividade, informa Sergio Bento de Araujo.
Utilizar games como recurso pedagógico não significa apenas jogar, mas analisar como o jogo funciona, quais regras estão por trás das mecânicas e como o código influencia o comportamento dos personagens. Esse tipo de abordagem transforma o entretenimento em ferramenta de aprendizagem técnica.
Redes sociais e produção de conteúdo educativo
Outro aspecto importante da cultura digital é a produção de conteúdo, explica Sergio Bento de Araujo. Trabalhar com vídeos, podcasts e postagens educativas permite integrar linguagem, tecnologia e pensamento crítico. Os alunos aprendem a planejar roteiros, organizar informações e comunicar ideias de forma clara.
Essa prática contribui para o desenvolvimento de competências de comunicação e também para a educação midiática, ajudando os estudantes a compreenderem a diferença entre informação confiável e conteúdo superficial, tema cada vez mais relevante no ambiente digital.
Pensamento computacional além do computador
O desenvolvimento do pensamento computacional não depende exclusivamente de equipamentos tecnológicos. Atividades desplugadas, jogos de lógica e desafios de resolução de problemas também ajudam os alunos a entender conceitos como sequências, padrões e tomada de decisão.
Na visão de Sergio Bento de Araujo, essas estratégias são especialmente úteis em escolas com recursos limitados, pois mostram que a educação digital pode acontecer mesmo sem laboratórios sofisticados, desde que haja planejamento pedagógico e metodologias adequadas.
Formação docente e uso pedagógico da cultura digital
Para que a cultura digital seja integrada de forma produtiva ao ensino, é fundamental que os professores recebam formação continuada e apoio institucional, ressalta Sergio Bento de Araujo. O uso pedagógico de jogos, redes e aplicativos exige critérios claros e alinhamento com os objetivos curriculares.
Quando o professor compreende como transformar interesses digitais em oportunidades de aprendizagem, a tecnologia deixa de ser um desafio e passa a ser uma aliada do processo educativo. Essa mudança de perspectiva é essencial para que a escola acompanhe as transformações da sociedade.
Interesse como ponto de partida para aprender
A cultura digital já faz parte da identidade dos estudantes e pode ser um poderoso motor para o aprendizado técnico e científico. Ao transformar jogos, redes sociais e produção de conteúdo em estratégias pedagógicas, a escola aproxima o currículo da realidade dos alunos e estimula competências fundamentais para o século XXI.
Neste cenário, aproveitar os interesses dos jovens é uma forma inteligente de promover educação de qualidade, conectada ao presente e preparada para o futuro, conclui Sergio Bento de Araujo.
Autor: Roger Tant
